MEDIA ALTER NATIVA

Exemplos caseiros de como burlar o cerco do monopólio da comunicação e da publicidade

No dia 3 de julho de 2001, um grupo de modelos negras ensaiaram em São Paulo uma MEDIA ALTER NATIVA, durante uma manifestação pela maior participação de negros nos desfiles de moda. Joni Anderson, idealizador dos protestos e um dos proprietários da agência de modelos Noir, que mantém um casting de 250 profissionais, disse que
era uma estratégia de inserção e visibilidade. "Fomos num grupo de 18 pessoas com faixas que traziam escrito "Apagão fashion - por mais negros na moda" (vide foto acima).

É uma pena que depois de décadas de lutas do movimento negro para desvincular a cor preta de qualquer sentido pejorativo, a agência tenha comparando a dignidade da própria raça à ignomínia da escassez energética, através do slogan "Apagão Fashion". Em nome da visibilidade o meio de comunicação é visto como um instrumento para alavancar a própria causa. Só que a causa, ao penetrar no universo da visibilidade espetacular, se liquidifica completamente. "O jornal Folha de S.Paulo noticiou o protesto, mas veja abaixo qual é o modelo de beleza que prevaleceu na capa de 4 de julho de 2001. É o chamado "efeito boomerangue" em publicidade.

Reprodução da capa do jornal Folha de S. Paulo de 4 de julho de 2001